Tempo quaresmal o convite para a conversão sincera
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Fiquem atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serem desvistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 6,1-6.16-18).
Meus irmãos e minhas irmãs, hoje, nós começamos a nossa caminhada quaresmal.
Jejum, esmola e oração
É Quarta-feira de Cinzas, e nós somos chamados a um apelo forte que o Senhor nos faz: a uma conversão ainda mais sincera.
Eu só li a abertura do texto de hoje, mas você conhece muito bem o texto que fala sobre as três práticas espirituais – jejum, esmola e oração – como sendo combustíveis para a vivência quaresmal.
Bom, trombetas para a esmola, palco para as orações e rosto triste e desfigurado para o jejum. Quantas vezes nós praticamos a nossa vida espiritual quaresmal desta forma que Jesus encontrou? Claro que, de modo velado, quase que imperceptível na nossa consciência.
O combate para além das aparências
Quanto precisamos nos libertar da mania de instrumentalizar a pobreza do outro para tirar algum proveito disso! Quanto exibicionismo na nossa oração em tempos de mídias e redes sociais! Como se torna um risco parecer pessoas espirituais, de oração diante da câmera, mas, no ordinário da vida, isso não ser notado pelas pessoas?
Quanta prática de um jejum intimista e legalista, desprovido do seu sentido genuíno! Práticas religiosas de ostentação da própria pessoa, sem prestar o verdadeiro culto a Deus.
A busca pela essência da prática
Sobre a esmola, Jesus já havia dito que muitos gostavam de fazer muitas ofertas no templo. Porque o barulho das moedas atraía a atenção das pessoas, e aquele que fazia a oferta era visto por muitos como uma pessoa caridosa. “Que a sua mão direita não saiba o que faz a esquerda.”
Sobre a oração, Jesus comparou às orações dos fariseus, que não passavam de um blá-blá-blá sem conexão com a vida. Ele deu o conselho de ir ao lugar mais escondido da casa, a gruta, uma espécie de dispensa de que fala o Evangelho de hoje. Ou seja, aquele quarto onde não entrava luz, para expressar que a oração deve ser fecundada no segredo do nosso coração.
Claro que existem as modalidades comunitárias de oração, e, com certeza, Jesus não aboliu isso. Porém, a oração não deve nunca ser um chamariz da atenção dos outros.
Depois, sobre o jejum, Jesus alerta que a ausência de comida não leva embora a alegria nem o rosto simpático. Tem cristão que parece estar sempre de jejum, porque a cara é amarrada, a cara é triste e de mal com a vida. O jejum deve ser praticado na alegria de esperar o Esposo, que é Cristo que virá e fará festa de suas núpcias com toda a Igreja.
Retomando a genuinidade para celebrar a Páscoa
Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, iniciando hoje a nossa caminhada quaresmal, retomemos a genuinidade do jejum, da esmola e da oração, para que o nosso coração possa celebrar, com todo júbilo e toda alegria, as festas pascais.
Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!